26 jul 2011

Às vovós do mundo!


Categoria: Sem categoria

Com fotos que expressam momentos felizes, únicos e inesquecíveis e um poema que traduz o verdadeiro significado de uma pessoa que merece todo nosso amor, dedicação, reconhecimento e carinho, prestamos uma pequena homenagem a todas as vovós do mundo!

 

Um lugar pra sempre

A casa dos meus avôs é assim… Tem cheiro de broa no forno e café fresquinho. Tem cheiro de aconchego constante e recordação de infância, lugar de refúgio dos dias comuns. Tem um pé de jabuticaba e o quintal parece a extensão do mundo, às vezes tenho a impressão que cabe tudo ali, todos meus sonhos e toda minha imaginação. Chega ser um lugar encantador, tem sempre gosto de domingo, de macarronada, frango frito e coca-cola bem gelada. Sempre cabe mais alguém. Ah e o leite lá tem nata, e não vem em caixinha. Os móveis antigos, de madeira boa, trabalhados a mão implicam com minha imaginação, parece que as coisas são do tipo “pra sempre”. Quando eu entro pela porta a sensação que tenho é que estou abrindo um enorme livro de histórias, daqueles de páginas amarelas. Lá tem forma de amor verdadeiro, o significado do casamento ainda é aquele que hoje a maioria das pessoas desacredita. Lá eu vejo tolerância sem sofrimento, doação pelo próximo sem expectativas, vejo a simples e verdadeira vontade de ajudar. Eu gosto de tudo lá, gosto do azulejo azul e amarelo do banheiro, gosto das rendas, dos bordados, das violetas, dos enfeites de porcelana e das cortinas esvoaçantes. Gosto dos potes de torradas, dos pudins, do brigadeiro e do carinho com que cada coisa é preparada, como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. A casa dos meus avôs tem a arquitetura de um colo gigante onde eu deito para “escutar” cantigas de ninar. Os cabelos da minha avó e a carequinha do meu avô são as coisas mais gostosas de acariciar e o abraço então… Parece que eu entro num abrigo secreto onde nada de ruim pode me acontecer. Eu amo a simplicidade que vejo ali. Quando estou com eles percebo o quanto esse tipo de cotidiano me faz falta, o cotidiano da simplicidade. O cotidiano de amar os sentimentos e não as coisas. É engraçado como eu preciso desacelerar para acompanhá-los, como eu preciso diminuir o ritmo, é isso me faz bem, hoje as coisas são rápidas demais, tudo pra ontem! Eu não imaginava que cantar com meu avô músicas antigas como “Naquela Mesa”, “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze” pudessem fazer brotar um sorriso tão sincero e que esse mesmo sorriso seria parte de uma cura que procuro diariamente. Eu tinha me esquecido que ter uma tarde inteira para prosear ou “tomar conhecimento” como diz minha vozinha, sem preocupar com horário, compromissos ou qualquer coisa parecida me faria sentir abastecida. Sabe aquele papo despretensioso… Aquela troca de experiência que nenhuma faculdade traz? Pois é… É mais ou menos isso… É aquela velha tecla que bato em grande parte das coisas que escrevo: o invisível e o intocável é o que realmente faz bem para a alma. Eu teria muitos outros detalhes para descrever, como o gosto doce de hortelã do beijo misturado com o amargo da despedida na saída do portão… As palavras faltam. Mas a casa dos meus avôs é assim tem a cor do amor incondicional com pinceladas abstratas de paz e uma sabedoria adquirida em anos de vivência. É o tipo de lugar que nunca deveria acabar, é o tipo de lugar que todo mundo deveria ter por toda vida. É o tipo de lugar que eu sei que não é eterno na existência física, mas que nunca saí da caixinha da memória, e quando aberta, desperta os mesmos sentimentos de sempre. E sentimento sim é coisa eterna!

A.P. Fumian

 

Vovó, nosso muito obrigado a tudo!


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